A setorização das distribuição de revistas

manga-atrasado

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Dando uma lida em notícias antigas depois de uma pausa, descubro que a JBC entrou no novo sistema de distribuição setorizada de seus mangás. (Correção na matéria com a contribuição de Luiz Pedro, que nos alertou nos comentários que a distribuição já era setorizada, e que o novo sistema é o que atende preferencialmente a RJ e SP).

A notícia foi anunciada no dia 6 de dezembro de 2013: editorajbc.com.br/2013/12/06/alteracoes-na-forma-de-distribuicao-dos-mangas.

As distribuidoras separam o país em dois. No Setor 1 estão as capitais São Paulo e o Rio de Janeiro; no Setor 2, o resto do país.

Na prática funciona assim. A editora lança uma revista, que vai para as bancas das capitais do RJ e SP. Algumas lojas especializadas também conseguem adquirir os lançamentos. Depois eles recolhem o encalhe, remanejam tudo e enviam o que sobrar para o resto do país. Se dá preferência as outras capitais e cidades-pólos e, se sobrar, as revistas chegam ao interior. Com isso, um lançamento distribuído no Setor 1, pode demorar de 3 a 5 meses para chegar às bancas do Setor 2.

Sei da importância da distribuição setorizada para uma editora. Diminuindo o número de encalhes, diminuí o prejuízo. Manter a conta no azul é o que faz com que elas continuem no mercado publicando mais edições. Porém, para o consumidor é ruim porque os lançamentos anunciados passarão a chegar às bancas do país com atraso. A desculpa que o país é de dimensões continentais não cola. Essa situação cria uma região de privilegiados (o Brasil não se resume ao eixo Rio-São Paulo), deixando o resto do país com um apêndice.

Para quem é fã e não deseja esperar tanto tempo, sobrará apenas a opção de fazer uma assinatura ou comprar via internet. E o que vai acontecer? Com o aumento da venda pela web, o jornaleiro irá perceber que mangá já não vende tanto e irá diminuir os pedidos de mangá. Haverá uma quantidade menor de títulos, reservando espaço apenas a aquelas revistas que vendem mais.  Se para quem vive no interior já é difícil encontrar com regularidade o seu mangá preferido, a tendência é piorar e diminuir a variedade. Será obrigado a dispensar o jornaleiro.

Na minha opinião, a distribuição setorizada é um tiro no pé da própria distribuidora. Com o avanço da tecnologia, o fã continuará comprando da editora ou passará a ler edições virtuais. E se ninguém vai mais às bancas, as distribuidoras não terão o que distribuir.

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2 comentários

  1. Luiz Pedro

    Só uma correção na primeira linha: A JBC já trabalhava com distruição setorizada há bastante tempo. A mudança foi que agora agora o alcance desta 1ª fase ficou restrito às capitais de SP e RJ, enquanto antes várias outras cidades eram fase 1. Fora isso, concordo integralmente com o artigo.

    Pelo que entendi, essa foi uma mudança unilateral por parte da distribuidora, e a editora não teve muito o que fazer. Aí eu fico dividido entre dizer que a editora deveria bater o pé pra manter o esquema antigo(pois o novo é ridículo) e dizer que eles realmente não devem ter tido muitas alternativas.

    Pelo que sei, há 2 distribuidoras em bancas no Brasil, e a que eles usam é a melhor (ou menos ruim?) delas. Por exemplo, a Pixel usa a outra, e o resultado é que é quase impossível achar aqueles especiais do Fantasma ou do Mandrake, mesmo em lojas especializadas. Só em 1 ou 2 lojas online, e nem são as mais famosas.

    Então, fugir pra onde? Sei lá, só sei é que o serviço atual, com essa fase 2 absurdamente gigantesca e esse número parco de distribuidoras no país são péssimos. Situação análoga à das gráficas usadas pelas editoras de quadrinhos. Serviço de médio a ruim, preço alto e poucas alternativas. Tá ruim? É o que tem, ponto. Não é à toa que tantos volumes estão sendo impressos no exterior, pois mesmo com o custo de 'importá-los' ainda deve valer a pena. Já distribuição, bem, aí não tem como, né?

    • San Watanabe

      Oi Luiz, concordo com você que no momento não há para onde correr. É a distribuidora que impõem essa regra. Acredito que, se a JBC queira bancar outro sistema, teria que pagar um valor maior para a distribuição.

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