A dublagem de animes está indo bem no Brasil?
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  Informações :: Slayers No Brasil

Em meados de 2002, a Rede Bandeirantes procurava um novo anime para colocar no lugar da fase Boo de Dragon Ball Z que a mesma havia perdido. Na época, a distribuidora Mundial Films estava tentando vender Slayers para a Rede Record... Como o fato não se concretizou, a Band foi mais rápida e adquiriu de uma só vez todas as temporadas da série e encomendou a dublagem, feita pela Dubla Vídeo, em São Paulo. A notícia foi uma tremenda bomba na época, já que os fãs aguardavam a anos a exibição da série em nosso país.


A série nunca teve sorte por aqui. Após ter sido rejeitada por vários canais pagos e abertos durante anos, Slayers foi parar na geladeira da Band devido a troca de diretores de programação ocorrida pouco depois da aquisição da série. O bloco Band Kids foi para o espaço, e com ele todas as esperanças de um dia se ter a exibição na TV aberta.

Tempos depois, sem nenhum aviso prévio a série entrou como um tapa-buracos na programação da emissora, dando lugar a um antigo programa de Otávio Mesquita.

Embora tenha sido exibido em um bom horário (09:30 da noite), a série não foi bem trabalhada - os animes naquela época eram vistos (e ainda são) como desenhos para crianças. Sendo exibidos apenas uma vez, os episódios ficaram perdidos em meio à estranha programação do canal. Era possível ver programas religiosos antes da série que narrava às aventuras onde uma feiticeira explode dragões, e ainda tínhamos a chance de ver Gilberto Barros falar mal dos desenhos japoneses após a exibição do episódio diário. A emissora ainda exibia aos domingos (como era de costume) um resumido da semana.

O anime não fez sucesso. Aumentou sim o ibope do horário, mas os fanáticos fãs da época não eram acostumados com aquele tipo de humor escrachado, característico da série, já que estavam há anos alienados com os infinitos episódios de Dragon Ball. Slayers é e sempre será um anime mais inteligente do que todos os outros exibidos pela Rede Bandeirantes, ou seja, seria impossível tentar agradar os fãs de Dragon Ball e Cavaeliros do Zodíaco com uma história tão simples como a da série. Animes possuem diversos públicos, e o de Slayers ainda não havia sido explorado direito em nosso país.


Para completar, a ingrata dublagem deixou a desejar: muitas partes foram mal traduzidas e adaptadas, sem falar no elenco, que muito embora fosse composto por estrelas, não bateu com os personagens.

Talvez o fato mais lamentável da adaptação da série tenham sido os nomes dos personagens e dos ataques. Todos os personagens principais receberam o nome em português exatamente igual à fonética pronunciada pelos japoneses. Ou seja, Lina virou Rina, Gourry virou Gaudy e assim por diante.

É triste ver que uma equipe tão séria como a da Dubla Vídeo não tenha se dado ao trabalho nem de pesquisar os nomes originais. Muito embora no japonês Lina Inverse seja pronunciado como Rina Inveressu, este último não passa de uma característica fonética dos próprios japoneses, que não pronunciam todas as letras ocidentais e tem um hábito de "japoneizar" palavras inglesas.

Ainda tratando da adaptação, os golpes que originalmente eram em inglês (o que expressa a vontade do autor em dar um toque diferente às magias) foram totalmente traduzidos. Para os que assistiram a série na época, é impossível não se lembrar de Letícia Quinto gritando o famoso "Dragãããoooo Escravo!".

Após sua primeira exibição a série foi retirada da programação. Tempos depois, foi "exibida" (com exceção do episódio 10) no Canal 21, uma antiga filial da Bandeirantes. As outras duas temporadas da série continuam inéditas e nunca foram exibidas, e o tempo se passou e os direitos de exibição foram vencidos. A chance da volta do anime a alguma emissora é totalmente remota.

Slayers é mais um exemplo de como uma série que se tornou sucesso lá fora, por ser mal trabalhada aqui dentro torna-se um fracasso.

Em 2004, ampliando sua linha de mangás, a Panini Comics trouxe o um dos títulos da série para as bancas brasileiras. Diferente da dublagem, a editora se mostrou extremamente responsável, diferenciando-se de outros títulos já antes lançados por outras editoras de mangás brasileiros que foram adaptados seguindo o porco trabalho de tradução das séries animadas.

Os personagens mantiveram os nomes originas e as magias também. O mangá vendeu bem, o que prova novamente o já citado - a série, quando bem trabalhada, faz sucesso.
O título aqui lançado em 15 volumes, fora o segundo lançado no Japão, Choubaku-madou-den Slayers (Super-Explosiva História Demoníaca Slayers), e é uma adaptação da suas duas primeiras temporadas da série em TV. Tempos depois a editora ainda lançou o primeiro mangá da série como os números 16 e 17, mantendo o padrão de qualidade usado nos quadrinhos anteriores.


Após a última publicação, a editora não demonstrou mais interesses em trabalhar com a série, o que deixa ainda três títulos da série em mangá inéditos por aqui.
Com um imenso acervo de material a ser explorado, Slayers foi um anime mal trabalhado e mal visto no Brasil. Não emplacou, embora possuísse todos os elementos para fazê-lo. Independente de sua triste história por aqui, a série conquistou um grande número de fãs.

A franquia - que já completou dez anos - continua sendo um grande sucesso ao redor do mundo, fazendo parte da lista de animes clássicos e indispensáveis junto de títulos como Cowboy Bebop, Trigun e Love Hina. Afinal, boas histórias devem ser lembradas para sempre.


Versão Brasileira - Confira os Dubladores!
Estúdio: Dubla Vídeo / São Paulo
Lina (Rina) - Letícia Quinto (Saori/Athena em Cavaleiros do Zodíaco)
Gourry (Gaudi) - Alfredo Rollo (Brock em Pokémon e Vegeta em Dragon Ball Z)
Zelgadis - Alexandre Marconato
Amélia (Ameria) - Fernanda Bulara (Tomoyo em Sakura Card Captors e Sailor Júpiter em Sailor Moon R, S e SuperS)
Xelos - Wendel Bezerra ( Goku em Dragon Ball Z, Meda-Bee em Medabot e Fenrir em Cavaleiros)
Martina - Marli Bortoletto (Sailor Moon na primeira série e Hilda em Cavaleiros)
Jilas - Marcelo Pissardini
Rezo - Afonso Amajones (Sanosuke em Samurai X, Ultraman na redublagem da série clássica)
Sylphiel (Silfi) - Márcia Regina (Lengue em Shurato e a Misty em Pokémon)
Filia - Sandra Mara
Fibrizo - Gabriel Noya (Luke dos Combo Rangers)
Gravos - Paulo Celestino (Máscara da Morte de Câncer em Cavaleiros)
Valgav - Ulisses Bezerra (Shun em Cavaleiros do Zodíaco)
Almaice - Cassius Romero (Mestre Indra de Shurato, Darien/Tuxedo Mask na primeira série Sailor Moon e Argos de Perseu/Hagen em Cavaleiros)



               
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